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Para começar o ano de 2012 da Oficina,
3 poemas de André Dick, ganhador do Prêmio Açorianos de Literatura 2011, Categoria Poesia.
FABULAR
embaixo do sol
as corcovas se comprimem
num só dromedário
e os camelos
tão cedo,
em direção
àquele oásis imaginário
VOCÊ
Você, flor repentina – no pátio vizinho
Fluxo de hastes
Não procede das treliças, ambíguas
A luz sobre a janela,
Pia cozinha
Não esqueça, gladíolo
Sobre o gesto, um rosto pálido –
Branco gelo
Geleira franca de ramagens
Não no rio –
Corre sem chegar
Perto do muro
Núcleo de artemísias
Ao vento, cães e folhas –
Em tumulto
Pólen, se diz em espirais
Pétala que se precipita
Só fecundada
Ó beladona, cave canem
Numa espécie de
Margarida
Extremidades
Núcleos polares
Às antípodas
Linho, açafrão,
Recém-
questionada
Você
longilínea
ÁLBUM DE BICHOS
O elefante e o rinoceronte
passam, mas não o bastante.
Até anteontem, mais adiante.
O leão, só se for no talo
com as listras de abelha
de março, ou saltam as casas
como asas –
fora os favos.
Folhas – o céu não carrega
nem bichos nem pedras.
Abrem muitas trilhas
nas costas das formigas.
* Esses poemas fazem parte do livro O equilíbrio do dia, ainda inédito, realizado com a Bolsa Funarte de Criação Literária, em 2007.
ALINE VALEK RESENHA ONDE PERDEMOS TUDO, DE ALEX CASTRO
“E é assim, com relacionamentos que se acabam, despedidas, mortes e outras perdas que o livro continua. Encaramos, de uma só vez, as situações mais difíceis de se encarar. Muitas pessoas – a quem eu indicaria fortemente a leitura deste livro – não conseguem lidar com a perda. Não aceitam, não superam, não se desapegam. Acabam se perdendo. Porque, apesar da evidente contradição, a vida não está completa enquanto não perdemos algo. O emprego, o cabelo, os amores, os amigos, o dinheiro, a vergonha, a fé, uns quilinhos, os pais, as chaves de casa, o último capítulo da novela, a virgindade, o ônibus, o jogo, a vez, as vistas, os dentes. Ser adulto é isso: engolir o choro e aprender a perder”
PARA LER O TEXTO NA ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI
LUIS MAFFEI NO TEMPO DE LETRAS
FIAPO
no meio das coisas que me são
proibidas, de uma a outra e
tanta a meia, agora, o
presente, quando estar
vivo é guardar-me da
alegria de Beth
que seja
chorando eu por dentro com a gata a
perseguir fiapo de ferro e
plástico que embrulhou um
saco de pão de forma
(já vejo, num futuro perto ou
longe
nem tão longe
sou capaz de reviver isto de agora só
porque houve linhas, e o tosco
registro, o único a que
acedo, será mais um de meus
inimigos invisíveis)
, e só penso e penso em
ecos que sequer escuto, des
aparecerá fiapo, a gata,
a casa e nem gosto terei
do momento agora, quando
o gesto dessa coisa
proibida foi tirar-me as
mãos do instante e colocar, uma num
peito sem sageza, outra na
caneta esferográfica
14
há qualquer coisa no mundo que
presta uns inventos pernas centro
sem centros só vício e
de novo
ombros mãos dadas lábios sem
pelo acima ou abaixo olhos
de ver-me acertar-me uns
ruídos a medição de quem mais
grande à balança de um ser
sobre o outro quando a articulação é só
joelho só não
fere há coisas luzes aeronaves ao
sol de um outono tão íntegro
então precário
que nem hei de estar vivo a pensar em
águas doces salgadas baixo céus e maio e
nuvens há o que vejo atrás duns
óculos escuros
há à roda o mundo uma roda que
roleta
por vezes dá certo dá 14
ou
nada perfeito dá louco por
ser e por sê-lo
estar qualquer coisa no mundo que
voa que geme que
presta
e o louco percebe
soprando o vazio
que qualquer coisa é
existe
e o resto fica aí mas fica
tarde fica
não
para mais tarde porque agora
ainda
tem certa cor tem som mais
sincero sorriso de canetinha
a bexiga a paciência o
SETE PONTOS
Vindo à beira-água, entre meu pai morrer perto do mar e seu sepulcro, entre lacustre estar e outro, a beira-ondas via expressa entre automóvel e automóveis, soprando o estio quente antes de estio, a arder, lastrando o vendaval que não havia, ou há, houvesse, defronte do passado que é futuro e ultrapassagem proibida, setecentos e setenta palmos descontados na carteira de habilitação.
Mas metáfora excessiva é Raquel a sugerir-me o coco escuro, longe de água, dentro da quitanda.
Diz-se em Iguaba Grande que o fruto é nada fácil de sair do bruto à boca.
NOITE DE POESIA 61
Com a presença da maioria dos autores, a livro coletivo Poesia 61 hoje, organizado por Jorge Fernandes da Silveira e Luis Maffei, foi lançado na sexta, 16 de dezembro, na filial do CCBB da Livraria da Travessa.
O livro celebra os cinquenta anos de Poesia 61, fecunda coincidência editorial que uniu cinco jovens poetas que viriam a modificar a face da poesia portuguesa contemporânea.
Poesia 61 hoje reúne dez ensaístas. Além de Jorge e Maffei, estão presentes desde experientes pesquisadores de poesia portuguesa, como Simone Caputo Gomes, Professora da USP, e Ida Alves, professora da UFF, até jovens pesquisadores, como Caio Laranjeira e Evelyn Blaut.
O lançamento foi prestigiado por vários convidados, nos quais se destacam estudantes de pós-graduação dedicados à literatura portuguesa.
Algumas fotos do lançamento.
- Alguns autores
- Os organizadores e uma leitora
- Noite de autógrafos
- A capa (de Isabella Lotufo), o belo livro
O livro está à venda nas livrarias e no nosso site, com preço promocial.
50 anos de Poesia 61, na Livraria da Travessa do CCBB
A editora Oficina Raquel e a Livraria da Travessa convidam para o lançamento de
Poesia 61 Hoje
Dia 16 de dezembro, sexta-feira,
das 18h às 21h,
na Travessa do CCBB (Rua Primeiro de Março, 66)
É simples a matéria deste ensaio sobre os 50 anos de Poesia 61.
Lado a lado, poemas afastados no tempo formam uma dupla, à
qual se segue um texto breve, como se fosse uma legenda ao “quadro”,
ou seja, aos poemas dispostos em duas colunas.
Sublinhando a passagem dos anos nos poetas, não necessariamente
pelo traço da diferenciação, essas legendas têm por único objetivo
dar notícia dos Poetas 61 hoje.
Ao celebrá-las, não voltamos apenas ao ano de 1961, mas nos dedicamos a ler cada um desses cinco poetas. Pareceu, a Jorge e a mim, interessante que fossem dois os ensaios sobre cada poeta, para que as miradas tivessem comemorativa e celebratória diversidade. Assim, este livro reúne dez ensaístas brasileiros em torno da ob ra dos cinco poetas que, há cinquenta anos, mudaram bastante a face da poesia feita em Portugal.
OFICINA NA TRAVESSA, O encontro
Ontem, sexta-feira, a Oficina Raquel, recebeu na Livraria da Travessa três de seus autores: Alex Castro, Bolivar torres e Roberta Ferraz, como mediação da jornalista Simone Magno.
O evento teve inicio às 19h e contou com a participação de um público interessado em literatura e suas repercussões cotidianas. Os autores falaram sobres seus processos de escrita, suas rotinas, suas influências e, claro, seus lançamentos pela editora.
Os livros citados acima estão à venda no site da editora www.oficinaraquel.com e nas melhores livrarias.
Em breve, novidades
Muito em breve, em nosso blog, entrevistas, discussões, reflexões etc.









