Arquivo do mês: fevereiro 2012

André Dick ganha Prêmio Açorianos de Literatura 2011

Selo do prêmio

3 poemas de André Dick, ganhador do Prêmio Açorianos de Literatura 2011, Categoria Poesia.

FABULAR

embaixo do sol

as corcovas se comprimem

num só dromedário

e os camelos

tão cedo,

em direção

àquele oásis imaginário

VOCÊ

Você, flor repentina – no pátio vizinho

Fluxo de hastes

Não procede das treliças, ambíguas

A luz sobre a janela,

Pia cozinha

Não esqueça, gladíolo

Sobre o gesto, um rosto pálido –

Branco gelo

Geleira franca de ramagens

Não no rio –

Corre sem chegar

Perto do muro

Núcleo de artemísias

Ao vento, cães e folhas –

Em tumulto

Pólen, se diz em espirais

Pétala que se precipita

Só fecundada

Ó beladona, cave canem

Numa espécie de

Margarida

Extremidades

Núcleos polares

Às antípodas

Linho, açafrão,

Recém-

questionada

Você

longilínea

ÁLBUM DE BICHOS

O elefante e o rinoceronte

passam, mas não o bastante.

Até anteontem, mais adiante.

O leão, só se for no talo

com as listras de abelha

de março, ou saltam as casas

como asas –

fora os favos.

Folhas – o céu não carrega

nem bichos nem pedras.

Abrem muitas trilhas

nas costas das formigas.

* Esses poemas fazem parte do livro O equilíbrio do dia, ainda inédito, realizado com a Bolsa Funarte de Criação Literária, em 2007.