Arquivo do mês: janeiro 2013

Sobre aprender uma nova ação: ver-sentir

Carlota Pires é autora da Oficina Raquel. Considerando-a para além de sua primeira publicação, Abismos paralelos, é também pessoa de sensibilidade aguçada, pois sabe, como poucos, pôr em prática o verbo conjugado ver-sentir. Digo já o porquê.

Na última sexta-feira, dia 11 de janeiro, Carlota, em diálogo com Luis Maffei e Raquel Meneses, falou sobre futebol, haicais, sentimento e, de maneira comovente – nos múltiplos sentidos que esta bela palavra pode assumir – relatou que, em sua aventura pelos abismos da poesia, permite-se senti-la e, ao percebê-la, enxerga-a; enxerga, por fim, o mundo. A escritora faz uso de sua extrema capacidade de ver através do sentir para, à sua maneira, que é a maneira da poesia, enxergar menos com os olhos e mais com a sensibilidade.

A disciplina oriental, a ordem e a limitação das sílabas poéticas e dos versos, típicas regras do haicai, parecem combinar harmoniosamente com a voz doce e firme de Carlota que, naquela sexta-feira, no auditório do Instituto de Letras da UERJ, encantou todos os presentes com o seu particular jeito de ver e de sentir a poesia que emana do mundo.

A visualidade de sua obra pode ser conferida no belo Abismos paralelos, que foi ilustrado pelo artista plástico Marcantonio e publicado pela Oficina Raquel.

http://www.oficinaraquel.com/produto/83/abismos-paralelos

Anúncios

Nelson Sargento presta homenagem à árvore da Lagoa

Nelson-Sargento

No último dia 6 de janeiro, a propósito, dia de Reis – dia de, segundo a  tradição, desmontar a árvore de Natal – , Nelson Sargento, autor da Oficina Raquel, prestou uma bela homenagem a um dos cartões-postais do Rio de Janeiro: a árvore da Lagoa. Promovida pela Bradesco Seguros há 17 anos consecutivos, neste Natal, a árvore inovou ao fazer referência às quatro estações do ano, através de movimentos compassados de luzes e som.

O espetáculo flutuante foi devidamente homenageado por Sargento que, tomando um barco, foi até a árvore e cantou, ao cair da noite, o samba por ele composto para a Estação Primeira de Mangueira, para o carnaval de 1955, “As quatro estações”.

Nós, que assistimos a tudo de um jeito bastante carioca – assim como Sargento, como a árvore da Lagoa e como o samba – sentimo-nos, também, homenageados, ao estarmos unidos a tantas pessoas que se aglomeraram, na privilegiada vista do Parque dos Patins, para se despedir do espetáculo flutuante. Acomodados em um dos quiosques do Parque, assistimos, comovidos, ao passeio-homenagem de Sargento.

Desembarcado, Nelson caminhou, acompanhado de amigos e das já quase tatuadas cores mangueirenses, até o quiosque onde nos encontrávamos. Lá, tirou muitas fotos com admiradores e, é claro, autografou seu livro, publicado pela Oficina Raquel, Prisioneiro do mundo. 

Foi um fim de tarde, como mencionado, tipicamente carioca, em que, mesmo com o calor de janeiro, foi possível passear pelas quatro estações: a primavera, “inspiradora de amores”; os frutos do outono, dados “em profusão” na beleza da poesia de Sargento; o inverno, cujas ocasionais chuvas tornam a nossa terra “preciosa e tão boa”, assim como o cair de tarde de verão daquele domingo, em que o “astro rei”, “com fulguração”, ainda brilhava “no céu”, refletindo, talvez, naquele dia, o brilho de nossos olhos emocionados.