Arquivo do mês: março 2013

“Olaria” é notícia no jornal O Dia

23/ 03/ 2013


Coisas desencadeadas: estudos sobre a obra de Carlos de Oliveira

Coisas desencadeadas: estudos sobre a obra de Carlos de Oliveira

Será oficialmente lançado no próximo dia 26 de março, às 19 horas, na livraria Prefácio, em Botafogo, a reunião de textos sobre a obra do poeta português Carlos de Oliveira que, sob a organização e o olhar competente de Ida Alves, apresenta ao leitor a seriedade dessas “coisas desencadeadas”.
Textos escritos pelos estudiosos Benjamin Abdala Junior (USP), Ângela Beatriz de Carvalho Faria, Jorge Fernandes da Silveira, Teresa Cerdeira, Monica Figueiredo (UFRJ), Chimena Barros da Gama (UNESP), Luis Maffei, Leonardo Gandolfi, Maria Lucia Wiltshire e a própria Ida Alves (UFF), em um (des)encadeamento perfeito, são alinhavados pela genialidade pulsante na obra de Carlos de Oliveira, escritor que “sabia tocar e ouvir o silêncio”.


Lançamento do “Olaria”

Conhecer sobre a conquista da Taça de Bronze pelo Azulão da Bariri, com direito a samba, cerveja e um papo interessante. Bom programa? Então, sinta-se convidado para o lançamento de “Olaria: a conquista da Taça de Bronze”, de Marcelo Paes, no próximo sábado, às 15h, na livraria Folha Seca.


Garrincha, Gente boa

Garrincha, Gente boa

Gente boa, coluna do Jornal O Globo, publica nota sobre o livro “De pernas para o ar: minhas memórias com Garrincha”, a ser lançado em maio pela Oficina Raquel.
O livro é de Gerson Suares, enteado do craque e, também, gente boníssima!


Texto do crítico Eduardo Coelho sobre “O comedor de Salamanca”, de Jorge Fernandes da Silveira, publicado pela Oficina Raquel

Eduardo Coelho

Coluna A voz do Brasil – Revista Ler – março de 2013

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ENTRE O BERÇO E O DIVÃ

 

Jorge Fernandes da Silveira é professor titular de literatura portuguesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Trata-se de um leitor incomum de poesia: seus ensaios costumam estabelecer um sistema de interlocução entre versos, o que muitas vezes descortina inusitadas relações intertextuais e/ou temporais, destacando, com rara inteligência, as ligações dos poetas modernos com a tradição. Nesse processo, podem também entrar em cena comentários argutos sobre cinema, teatro e música. Há uma permanente conversação entre poemas, poetas e outras formas de arte. Não à toa um de seus livros mais importantes intitula-se Verso com verso, publicado sob a chancela da Angelus Novus.

A editora carioca Oficina Raquel lançou no fim do ano passado O comedor de Salamanca (124 p.), uma mescla de memorialismo, crítica da cultura, crítica acerca do sistema político-econômico vigente, caderno de viagens, caderno de citações, coleta de poemas e, para adotar uma expressão cunhada nessa obra, “(auto)bibliografia”, ou seja, uma vida contada por meio de referências. Embora a obra contemple o período de fevereiro à julho de 2012, em que Jorge Fernandes passou sua quinta temporada como professor visitante em Salamanca, esse volume de 124 páginas faz lembrar um verso de Carlos Drummond de Andrade de “Consideração do poema”: “É toda a minha vida que joguei.”

O livro ao mesmo tempo é uma análise do seu universo cultural, do universo cultural do outro, mas ainda ressalta uma profunda auto-análise, com observações profundas em torno de uma vida tortuosa, ainda que marcada de muitas conquistas e superações. Nesse sentido, é mais do que justificada a sua afirmação: “Creio que volto a ensinar em Salamanca para reaprender a andar com os meus próprios pés e pernas. E penas.” (p. 21). Se aprender a andar leva o homem ao encontro de descobertas, reaprender implica dois movimentos: de olhar para trás, memorialisticamente, e de olhar para a frente, às vezes iluminado pelo esclarecimento de pontos obscuros do passado.

Por causa disso, há momentos de alta comoção, que ainda revelam um escritor em sintonia com suas estratégias de leitura. Por exemplo: são muito surpreendentes as associações “livres” de ideias, como o exame atento de Um filme falado, do diretor Manoel de Oliveira, ao lado dos embates já desgastantes em torno do Acordo Ortográfico. Ainda mais comovente é a relação que estabelece com uma pedinte sentada à porta da igreja e que lhe faz lembrar sua mãe. Jorge Fernandes oferece um euro; depois, dois; por fim, cem euros para que ela compre uma cama. E eis a conclusão: “Do berço ao divã se repetem muito mais monstros fantasmas do que sonha a vossa vã biografia, minha querida e saudosa analista. […] Tudo isto é Fado. Um lugar para nascer, viver, morrer, na sobreimpressão do espaço em tempos inumeráveis. Numa palavra: o desejo de levantar-se uma cama antes de se deitar definitivamente no chão. E é em estado de alta que a mim mesmo me encontro, literal e metaforicamente suspenso por dois pontos: entre o berço e o divã está uma cama.” Sim, entre o berço e o divã está uma cama, bem como uma série de fragmentos coligidos em O comedor de Salamanca que se estruturam, à sua moda, como uma epopeia. Uma epopeia que reflete ainda o processo de crise atravessado pela Europa sob a perspectiva do estrangeiro íntimo da Península.

 


Garrincha e seus Joões

Quer saber como e quando surgiu o apelido com o qual Mané chamava os seus marcadores?
Assista a este vídeo e aguarde o lançamento de “De pernas para o ar: minhas memórias com Garrincha”, de Gerson Suares.


Futebol-arte

O interesse da Oficina Raquel pelo poético que perpassa o texto não é mais novidade para o seu público, para os seus amigos. Tampouco é desconhecido o diálogo que a editora procura estabelecer com o futebol, tema de publicações presentes, passadas e em planejamento.

Exemplos dessa relação são a revista pequena-morte que, em seu número “futebol-arte”, premia-nos com textos de gêneros diversificados, escritos por especialistas oriundos de diferentes áreas, todos acerca dos dois eixos temáticos que a intitulam. Também os livros Dez campos, estreia poética de Jorge Fernandes da Silveira, Contos da colina, escritos a seis mãos por Luis Maffei, Nei Lopes e Mauricio Murad e 38 círculos, do também editor da Oficina Raquel, Luis Maffei aumentam a lista de lances entre futebol e a arte da escrita.

Recentemente lançado, Olaria: a conquista da Taça de Bronze, de Marcelo Paes, tem sido muito bem recebido pelo público que, independente de torcida, recebe, com alegria, boas histórias, sobre um futebol que, mais do que cifras e campeões internacionalmente reconhecidos, almeja fazer futebol-arte, como aquele feito pelo inesquecível Mané Garrincha, o eterno camisa 7 do Botafogo, que, em breve, será personagem principal de um livro de crônicas de Gerson Suares, a ser lançado pela Oficina Raquel.

Seguimos buscando bons lances literários.