Arquivo do mês: abril 2013

Convite

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De pernas para o ar: minhas memórias com Garrincha, Gerson Suares

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Em seu livro de estreia, Gerson Suares, enteado de Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha, presenteia o público com um texto cativante, que remete o leitor às memórias mais particulares de sua convivência com o Mané. O filho de Elza Soares torna públicos momentos de descontração, em que Garrincha é apresentado como uma figura lúdica – mesma característica com a qual o autor apresenta o bairro de Santa Teresa, onde passou sua infância com pais adotivos, que, dignamente, deram-lhe a criação que Elza, em momentos difíceis, não lhe pôde oferecer.
Na primeira parte, Garrincha é apresentado “com a bola nos pés”, como uma criança que, com genialidade, driblava os “Joões” do campo ou da vida, deixando-os, todos, de pernas para o ar. Em um segundo momento, o texto revela tempos mais áridos, em que “nem tudo é [foi] festa”, e a bebida toma contornos mais evidentes nas narrativas que compõem esta segunda parte da obra. O leitor é conduzido, então, por caminhos mais sofridos da vida particular do Mané Garrincha e de seu núcleo familiar que, apesar das dificuldades, sem deixar de lado a leveza de espírito, circulou entre bairros da zona sul do Rio de Janeiro, a Ilha do Governador, a Itália, país onde a família se viu obrigada a exilar-se, e, especialmente, Pau Grande, cidade natal do craque, lugar onde cultivou a simplicidade, a amizade e, a seu modo, a fé na natureza e nos homens. Por fim, Gerson apresenta-nos as “muitas faces de Mané”: gozador, cuidadoso, paquerador, amante da natureza e, enfim, traça uma perspectiva de Garrincha no céu, onde, segundo o autor, ele, a partir do dia 20 de janeiro de 1983, estaria fazendo a “alegria do povo”, do seu jeito bastante peculiar de encarar a vida e o que vem depois dela.
Em De pernas para o ar: minhas memórias com Garrincha, deixamos a posição passiva de leitores/ espectadores da obra de arte produzida pelo Gênio das pernas tortas para, guiados pelas mãos de seu enteado-cúmplice, conhecermos melhor o eterno camisa 7; pelas mãos do autor, ainda, sentimo-nos como “Joões” que, marcados no jogo de suas palavras, somos derrubados, de pernas pro ar, sob o impacto da genialidade do Mané Garrincha.

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Resenhas de “A resposta e o vento”

 

Duas belas resenhas publicadas por blogs parceiros da Oficina Raquel: A resposta e o vento, de Ricardo Thomé.

http://literaturabr.blogspot.com.br/2013/04/nunca-e-tarde-pra-ser-por-nathan-matos.html

http://rabiscosefragmentos.blogspot.com.br/2013/04/resenha-resposta-e-o-vento-ricardo-thome.html