Arquivo do mês: junho 2013

Luis Maffei lança seus “Signos de Camões”

No último dia 10 de junho, Luis Maffei, lançou seu mais recente livro, os Signos de Camões, da Editora Oficina Raquel, no evento Um dia de Camões II. O lançamento contou com a presença de amigos, estudiosos da literatura, pessoas que apreciam a boa poesia em geral.

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Em Signos de Camões,  tendo como desconhecida a data de aniversário do autor d’Os Lusíadas, Luis Maffei propõe um texto para cada signo do zodíaco, de forma a supor, mais que a configuração celeste do momento do nascimento de Camões, temas e formas poéticas a figurarem nesses seres de papel, imaginados e muito bem desenhados pela mão do autor.

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Luis Maffei ao passear pelos signos do zodíaco com a destreza de um astrólogo, cria, com a iluminação sugerida pelo nome que partilha com o grande poeta português, um Camões diferente a cada casa zodiacal.  Ao leitor é oferecido o deleite de textos escritos com maestria, muitos em difíceis formas fixas camonianas e da poesia ocidental, num instigante exercício de leitura, pois o próprio autor se impôs, para a escrita do livro, a tarefa de ler, pensar e imaginar possíveis signos camonianos para buscar, enfim, compreender e aproximar-se da poesia do grande vate.

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“Signos de Camões”: Oficina Raquel entrevista Luis Maffei

LuisesAutor de Signos de Camões, Luis Maffei concede entrevista à Oficina Raquel.

Por: Rodrigo Corrêa Machado

 

No próximo dia 10 de junho, às 18 h, ocorrerá, no auditório Macunaíma da Universidade Federal Fluminense (bloco C, campus Gragoatá), o lançamento do quinto livro de poemas de Luis Maffei, intitulado Signos de Camões. Vale ressaltar que tal obra já teve seu lançamento feito em Portugal, pela editora Companhia das Ilhas. Agora é a vez de vir a lume no Brasil esse livro tão instigante, que será editado pela Oficina Raquel.

Luis Maffei, um destacado poeta no panorama da literatura brasileira – além de professor de Literatura Portuguesa na Universidade Federal Fluminense – aproveitando-se da inexatidão que ronda o nascimento de Luis de Camões, cria doze poemas relacionados às diferentes personalidades zodiacais que Camões poderia assumir. Para tal empreendimento, Luis Maffei vai além da configuração celeste e mística que envolve cada signo, inventando também temas e formas poéticas condizentes com cada constelação zodiacal.

No ímpeto do lançamento dos Signos, realizamos uma entrevista com o autor, afim de desvendarmos um pouco mais essa produção poética que se faz cada vez mais instigante.

 Rodrigo C. Machado: Qual o papel exercido pelos Signos de Camões no seu percurso poético-literário?

Luis Maffei: Em resumo, talvez eu possa dizer que sempre tive Camões como referência maior do que seja poesia. Perseguir, agora, uns sentidos muito explosivos numa ficção astrológica camoniana ajuda-me, talvez, a lê-lo melhor. Talvez ajude também a me tornar mais legível como poeta situado entre um contemporâneo estranho e um clássico aflito.

Rodrigo C. Machado: Qual a sua relação com a poesia camoniana e qual a razão de empreender esse diálogo direto com o maior poeta de língua portuguesa?

Luis Maffei: A ideia do livro, como explico no prefácio, partiu de Sérgio Nazar, colega acadêmico e poeta. Minha relação com a poesia camoniana é de procura infrene e tentativa constante de manusear sentidos. A astrologia, por possibilitar inteligente lida com a ideia de signo, acabou sendo estratégia eficaz para uma construção de desdobramentos e atritos amorosos.

 Rodrigo C. Machado: Acredita-se que todo poeta tenha um projeto literário. Tendo em vista essa nova produção poética que é Signos de Camões, qual o seu projeto poético-literário?

Luis Maffei: Penso que só sabemos qual seja nosso projeto poético-literário, se entendo o que você disse como um fato dado, enquanto escrevemos, ou mesmo depois de muita coisa escrita. A poesia é mesmo assim, constrói-se enquanto se considera, e tem um antes difícil – há um antes, mas às vezes penso que isso se encontra no limite do indizível. Assim, olhando esse livro e os outros quatro que escrevi dentro da chamada poesia, imagino que posso considerar meus conjuntos de poemas como tentativas de marcar diferenças: de linguagem, de construção, até de ética, em relação a bastante coisa dentro da cultura, a brasileira especialmente. No fundo, mais que isso, meu projeto pode ser traduzido como convite, convocação ou invenção de contemporaneidades, ou melhor, de leitores, melhor ainda, de interlocução. Coisa difícil, por razões evidentes.

Mas disse o que disse entendendo o que você disse como um fato dado. Não sei se eu penso que todo poeta tem um projeto literário. Não sei se o meu, caso exista, é simples como expressei.

 Rodrigo C. Machado: Conforme o professor Jorge Fernandes da Silveira, a literatura nacional lusitana é uma tentativa de se fazer arte escrita após Os Lusíadas. Como você vislumbra a importância ou o papel intertextual existente entre a literatura feita no Brasil e os escritos camonianos ainda na contemporaneidade?

Luis Maffei: O Brasil, felizmente, tem ótimos leitores de Camões – Drummond, por exemplo, na poesia, e o citado Jorge, por exemplo, na crítica. Se eu quiser dialogar com esse grande professor, posso dizer que Camões não é, como muitos dizem, um muro fabricador de angústias de influência (nem Pessoa o é), mas um monstro fornecedor de sentidos; penso que Signos de Camões é apenas uma entre muitas provas disso.