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Maria Teresa Horta: “Azul cobalto”

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Maria Teresa Horta é artista da palavra celebrada em Portugal, reconhecida por seu engajamento político que ultrapassa questões partidárias para atingir o cerne daquilo que há, talvez, de mais político no fazer humano, que é o ato de fazer literatura. A escritora segue, pois, os apontamentos de Jacques Rancière, em Politique de la littérature (2007), que parte da hipótese de que a política da literatura, não dizendo respeito a uma política divulgada por escritores ou ao engajamento pessoal de um ou outro poeta nas lutas sociais de seu tempo, implica que a literatura faz política pelo simples fato de ser literatura, pois que existe um vínculo essencial entre a política como forma específica da prática coletiva e a literatura como prática definida da arte de escrever.

Assim, o poder do literário finca-se em terrenos que excedem o do belo, ou o do panfletário, mas que se caracterizam pela arte que difundem, pelas ideias que espalham, pelo belo que leva ao incômodo, ao questionamento, à reflexão. Ato político inerente ao literário.

Atenta às questões do feminino, da política de seu país e a tantas outras questões que perpassam sua arte, Maria Teresa Horta oferece, agora, ao público brasileiro, em publicação pela editora Oficina Raquel, uma coletânea de contos que se desdobram, por uma temática que remete à mulher, especialmente à relação entre mãe e filha, em configurações imagéticas que dão à leitura questões pertinentes à atualidade.

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O conjunto de seu texto faz referência a questões antigas na literatura, especialmente a portuguesa, como o fingimento e a relação com a História do país, mas também toca assuntos em voga no campo dos estudos literários, a saber: o diálogo entre as artes – a pintura que serve de capa ao livro e um de seus contos, por exemplo, possuem um diálogo belíssimo, proporcionado pela qualidade do texto de MTH -; a temática neobarroca – como a sensação de desconcerto, a inquietação, a mutação da mulher que ganha asas – e, obviamente, questões atemporais, tais como as que permeiam o universo feminino, tão bem ilustradas na epígrafe da obra: “Voar, é o gesto da mulher, voar na língua, fazê-la voar.” (Hélène Cixous).

Na página oficial de Maria Teresa Horta no Facebook, foi publicado o seguinte:

“«AZUL COBALTO»: DOZE CONTOS DE MTH NO BRASIL

A maquete da capa do livro «Azul Cobalto», título de um dos doze contos de Maria Teresa Horta que integram o volume, foi ontem enviada à escritora pela editora Oficina Raquel, do Rio de Janeiro,que anuncia a sua publicação para o próximo mês de Março. Questões burocráticas atrasaram a edição brasileira, inicialmente prevista para o ano passado, deste livro de contos de MTH – todos eles já publicados em Portugal, onde se mantêm entretanto dispersos por vários livros e revistas. Os contos agora coligidos no Brasil são, além de «Azul cobalto», «Lídia», «Calor», «Uriel», «A Princesa espanhola», «Com a mão firme e doce», «Raízes», «Laura e Juliana», «Efémera», «Eclipse», «Leonor e Teresa» e «Transfert». «Calor» é uma versão revista de um conto publicado no «Expresso» em 17 de Março de 1973, sob o título «Mónica». A utilização mais tarde, por esquecimento da autora, do mesmo título num outro conto com um entrecho completamente diferente (este já publicado no Brasil na colectânea «Intimidades», de várias autoras, e actualmente editado em e-book pela Dom Quixote-Leya em Portugal), levou Maria Teresa Horta a reescrever o conto do «Expresso» e a dar-lhe um novo título.”

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Em breve, a Oficina Raquel promoverá o lançamento de Azul cobalto. Estudiosos da obra de Horta, interessados em literatura portuguesa e amantes do belo (e do político) literário não deverão perder o evento.

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Luis Maffei lança seus “Signos de Camões”

No último dia 10 de junho, Luis Maffei, lançou seu mais recente livro, os Signos de Camões, da Editora Oficina Raquel, no evento Um dia de Camões II. O lançamento contou com a presença de amigos, estudiosos da literatura, pessoas que apreciam a boa poesia em geral.

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Em Signos de Camões,  tendo como desconhecida a data de aniversário do autor d’Os Lusíadas, Luis Maffei propõe um texto para cada signo do zodíaco, de forma a supor, mais que a configuração celeste do momento do nascimento de Camões, temas e formas poéticas a figurarem nesses seres de papel, imaginados e muito bem desenhados pela mão do autor.

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Luis Maffei ao passear pelos signos do zodíaco com a destreza de um astrólogo, cria, com a iluminação sugerida pelo nome que partilha com o grande poeta português, um Camões diferente a cada casa zodiacal.  Ao leitor é oferecido o deleite de textos escritos com maestria, muitos em difíceis formas fixas camonianas e da poesia ocidental, num instigante exercício de leitura, pois o próprio autor se impôs, para a escrita do livro, a tarefa de ler, pensar e imaginar possíveis signos camonianos para buscar, enfim, compreender e aproximar-se da poesia do grande vate.


“Signos de Camões”: Oficina Raquel entrevista Luis Maffei

LuisesAutor de Signos de Camões, Luis Maffei concede entrevista à Oficina Raquel.

Por: Rodrigo Corrêa Machado

 

No próximo dia 10 de junho, às 18 h, ocorrerá, no auditório Macunaíma da Universidade Federal Fluminense (bloco C, campus Gragoatá), o lançamento do quinto livro de poemas de Luis Maffei, intitulado Signos de Camões. Vale ressaltar que tal obra já teve seu lançamento feito em Portugal, pela editora Companhia das Ilhas. Agora é a vez de vir a lume no Brasil esse livro tão instigante, que será editado pela Oficina Raquel.

Luis Maffei, um destacado poeta no panorama da literatura brasileira – além de professor de Literatura Portuguesa na Universidade Federal Fluminense – aproveitando-se da inexatidão que ronda o nascimento de Luis de Camões, cria doze poemas relacionados às diferentes personalidades zodiacais que Camões poderia assumir. Para tal empreendimento, Luis Maffei vai além da configuração celeste e mística que envolve cada signo, inventando também temas e formas poéticas condizentes com cada constelação zodiacal.

No ímpeto do lançamento dos Signos, realizamos uma entrevista com o autor, afim de desvendarmos um pouco mais essa produção poética que se faz cada vez mais instigante.

 Rodrigo C. Machado: Qual o papel exercido pelos Signos de Camões no seu percurso poético-literário?

Luis Maffei: Em resumo, talvez eu possa dizer que sempre tive Camões como referência maior do que seja poesia. Perseguir, agora, uns sentidos muito explosivos numa ficção astrológica camoniana ajuda-me, talvez, a lê-lo melhor. Talvez ajude também a me tornar mais legível como poeta situado entre um contemporâneo estranho e um clássico aflito.

Rodrigo C. Machado: Qual a sua relação com a poesia camoniana e qual a razão de empreender esse diálogo direto com o maior poeta de língua portuguesa?

Luis Maffei: A ideia do livro, como explico no prefácio, partiu de Sérgio Nazar, colega acadêmico e poeta. Minha relação com a poesia camoniana é de procura infrene e tentativa constante de manusear sentidos. A astrologia, por possibilitar inteligente lida com a ideia de signo, acabou sendo estratégia eficaz para uma construção de desdobramentos e atritos amorosos.

 Rodrigo C. Machado: Acredita-se que todo poeta tenha um projeto literário. Tendo em vista essa nova produção poética que é Signos de Camões, qual o seu projeto poético-literário?

Luis Maffei: Penso que só sabemos qual seja nosso projeto poético-literário, se entendo o que você disse como um fato dado, enquanto escrevemos, ou mesmo depois de muita coisa escrita. A poesia é mesmo assim, constrói-se enquanto se considera, e tem um antes difícil – há um antes, mas às vezes penso que isso se encontra no limite do indizível. Assim, olhando esse livro e os outros quatro que escrevi dentro da chamada poesia, imagino que posso considerar meus conjuntos de poemas como tentativas de marcar diferenças: de linguagem, de construção, até de ética, em relação a bastante coisa dentro da cultura, a brasileira especialmente. No fundo, mais que isso, meu projeto pode ser traduzido como convite, convocação ou invenção de contemporaneidades, ou melhor, de leitores, melhor ainda, de interlocução. Coisa difícil, por razões evidentes.

Mas disse o que disse entendendo o que você disse como um fato dado. Não sei se eu penso que todo poeta tem um projeto literário. Não sei se o meu, caso exista, é simples como expressei.

 Rodrigo C. Machado: Conforme o professor Jorge Fernandes da Silveira, a literatura nacional lusitana é uma tentativa de se fazer arte escrita após Os Lusíadas. Como você vislumbra a importância ou o papel intertextual existente entre a literatura feita no Brasil e os escritos camonianos ainda na contemporaneidade?

Luis Maffei: O Brasil, felizmente, tem ótimos leitores de Camões – Drummond, por exemplo, na poesia, e o citado Jorge, por exemplo, na crítica. Se eu quiser dialogar com esse grande professor, posso dizer que Camões não é, como muitos dizem, um muro fabricador de angústias de influência (nem Pessoa o é), mas um monstro fornecedor de sentidos; penso que Signos de Camões é apenas uma entre muitas provas disso.


Lançamento de “De pernas para o ar” é notícia no JB

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